26.4.18

Mirando na Lua e Acertando as Estrelas

meu coração queima
com a dor e a delícia do tempo e dos momentos
em uma perfeita sincronia dissipada
os dias são tão líquidos
e os sonhos tão sólidos
e eu fico a mercê
desses pensamentos insólitos
mirando na lua e acertando as estrelas
é bonito mas não é profundo
e eu gosto do estrago
da profundidade quilométrica
e do nível elevado
faz dias que não sei quem sou
mas me conheço a tanto tempo
talvez seja justamente esse o desafio
se encontrar dentro de si mesmo


18.4.18

Tudo que Incendeia Dentro do Peito Vale a Pena Ser Sentido

tudo acontece por um motivo
e a gente aconteceu
acontecemos por uma fração eterna de tempo dentro do tempo
mesmo sabendo que a eternidade vive a espreita da efemeridade
porém o amor não liga pra isso
e a gente ligava pro amor
porque tudo que incendeia dentro do peito vale a pena ser sentido
com ou sem sentido
fomos um do outro abrigo
mas até mesmo o tempo se dissipa
no decorrer das sensações e dos dias
aquelas tuas palavras soltas ainda ecoam na minha mente
sussurram duvidas e criam hipóteses
tento encaixar os motivos
de um começo repentino e um fim precoce



30.11.17

Semáforo Contraditório Efeito Colateral

No decorrer dos dias e da rotina do espaço de tempo em que morei sozinha em uma cidade gigante, eu, como toda estudante ainda sem carro vivendo na capital, tinha que me locomover até a faculdade em que eu estudava munida de minhas próprias pernas e um bocado de força de vontade. Por sorte e estratégia eu morava bem pertinho e não precisava pegar ônibus, apenas tinha que atravessar uma avenida gigante, que apesar de sempre lotada de veículos e movimento tinha uma atmosfera que cheirava a solidão. E para atravessar essa avenida tão importante para o trânsito e tão desagradável para as almas que ali tinham que passar diariamente, havia um semáforo, um maldito de um semáforo que por dias a fio fez meus neurônios ficarem inquietos. Acontece que o deficit daquele semáforo era que quando o sinal ficava vermelho para os carros pararem, o sinal do pedestre, aquele com um homenzinho andando, que deveria ficar verde para mostrar que o pedestre podia finalmente atravessar, também ficava vermelho. No começo eu fiquei muito perdida, parada inexoravelmente observando aqueles carros parados que se pudessem falar estariam mandando eu atravessar logo a rua, em contraponto com aquele bonequinho vermelho contraditório que me fazia ficar imóvel ao sentir que atravessar a rua naquele momento seria errado. Porém como eu era obrigada a passar por aquela sinaleira diariamente se quisesse chegar em casa, acabei tendo que me acostumar a ignorar o maldito bonequinho vermelho e seguir minha intuição e percepção, estranha sensação boa de sobreviver aos efeitos colaterais da contradição. E conforme passavam os dias, e eu passava por aquela faixa de pedestre, comecei a perceber que aquela contradição do sinal que me agoniava tanto era na verdade apenas uma analogia disfarçada de sinaleira. Afinal nem sempre a vida e as circunstâncias vão te fornecer o caminho certo e o momento exato para alcançar seus objetivos, e podem muitas vezes inclusive te confundir ou te distrair dos teus propósitos, como a sinaleira que ao invés de auxiliar, prejudicava. Mas mesmo que todos os aspectos e variáveis que lhe circundem forem contra você, o grande segredo é ter ousadia e esquecer do verde do vermelho e até do amarelo e sim focar no fluxo dos veículos. Esqueça as nuances e os poréns e foque na ambição, na intuição e na percepção. Ah e atravesse logo a faixa, afinal ficar parado esperando uma resposta que você encontrará só dentro de você mesmo nunca te levará pro outro lado da rua!